Adoro livros que me surpreendem. Mas esse, Confissões de Inverno,  não foi nada do que eu esperava. pela capa e pela resenha eu pensei que era uma coisa, mas conforme fui avançando na leitura, me descobri presa em um livro com um tema pesado e nada daquilo que eu pensava que seria uma leitura fácil.

O tema do livro é basicamente sobre a igreja e a pedofilia, e como as pessoas podem ou não reagir a isso.




O livro conta a história de Aidan, um garoto que vive na parte rica da cidade. Bom garoto, bom filho, ele ia na Igreja do Preciosissimo Sangue de Cristo, e trabalhava para arrecadar fundos para a igreja.

Os responsáveis pela igrejas ali eram o  Padre Greg e  Padre Dooley. Aidan e o Padre Gregg tinham uma relação que ia além da amizade, o garoto sentia que podia confiar nele, que ele era especial.

Mas tudo começa a desmoronar nas festas de Natal. Mesmo com a super festa que sua mãe deu e encontrando Sophie, Josie e Mark que estudam com ele, tudo vai de mal a pior. Seus pais estão se separando, então seu pai fica na Europa, sua babá Elena, que é como sua segunda mãe, vai para o Bronx passar as festas lá e o Padre Greg o dispensa sem a menor cerimônia.

Eu conheço você, estou aqui, AIdan. Estou aqui. Era como se existissem dois Aidans na festa: O que fazia a contagem regressiva e gritava, repetindo “Feliz ano-novo!”, e o que ficava escondido no escuro, em silencio, ouvindo o padre Greg sussurrar,sussurrar como aquele segredo enchia tudo de significado e sentido.

Mas decidido a não ficar sozinho, ele volta até a igreja e vai até o porão, lá ele vê o Padre Greg fazer as mesmas coisas que fazia com ele, só que com um garoto chamado James. Ele se abala muito. e fica mais ainda quando vê reportagens sobre abusos na arquidiocese de Boston, cidade vizinha. Mas ele não acreditava que o Padre Greg abusava dele... ou será que sim?


Porque é. É um crime duplo. O cara não está apenas prejudicando as crianças agora. Ferrou todo o futuro delas. É como agredi-las uma vez e agredir de novo, uma vez atrás da outra, pelo resto da vida.


O livro é muito bom mas tem um tema bem pesado. Pedofilia. Mas e quando o abusado não pensa que realmente foi? E quando você é desacreditado por seus pais por dizer a verdade? E a vergonha de todo mundo saber? E quando você vive em um mundo de aparências?

Aidan pensa que o Padre Greg age de maneira especial com ele, imagine a dor dele ao descobrir que não era somente para ele aquelas palavras doces, aquela fala mansa, aqueles toques. Que sua família estava desintegrando, e a pessoa com quem ele mais contava também. É nesse momento que ele sai todo perturbado que ele descobre que tem muitos como ele. O que ele vai fazer? Ele pode contar? Com quem ele pode contar?

Mark é um exemplo. Só que Mark está muito quebrado e desesperado. Mark partiu meu coração. Como um garoto pode pensar daquele jeito? Como uma pessoa chega nesse ponto , sem ter que ninguém para não deixar ele fazer o que faz?

Garoto, você pode ser um dos dois tipos de pessoas: aquele que faz a realidade acontecer ou aquele que deve se encaixar dentro de uma realidade

Fiquei transtornada com o final, mas ele é real. Sabemos como funciona esse rede de pedofilia dentro das igrejas, pelas matérias que lemos no jornal, sempre abafadas pela mídia. Mas as famílias fingirem que tá tudo bem, passarem a mão na cabeça da criança e dizer para ela não inventar aquilo? Que mundo podre é esse em que líderes da igreja, pessoas que deveriam ser devotadas a Deus, fazem isso? Que mundo dissimulado deixa uma criança passar por isso??

Bom vou para por aqui, porque este tema me revolta muito, e esse final, embora real, também me deixou triste e revoltada.

Queria que a mancha que eu representava se dissolvesse num piscar de olhos.
Se você leu As vantagens de ser invisível, talvez goste desse também
Beijos Beijos


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